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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Uma Reflexão do Mundo Gamer Contemporâneo


Mais de 80% dos jovens e adultos jogam vídeo-games ao redor do mundo todo! A força da indústria nunca esteve mais ampla do que na oitava geração de games em que nos encontramos. Tal fato resulta em mudanças no comportamento das massas que tanto apreciam essa forma de arte e comunicação. Como gamers, tenho certeza que não poderíamos ficar mais felizes com o contínuo crescimento da indústria e decréscimo do preconceito com a mesma.

Feito essa espécie de prefácio pacífico, tenho certeza que a matéria a seguir não estará de acordo com a opinião de todos os leitores, portanto peço que nossos usuários e visitantes expressem seus pontos de vista em relação ao assunto, mas que mantenham o respeito que qualquer debate ou discussão precisa ter. 

Eis que chegamos em 2017, mais um ano se passou de recordes e novidades no mundo dos games, sejam em relação às vendas, sejam em plateias presentes nas competições de eSports ou ainda na explosão de novas tecnologias com trazem consigo a impressionante realidade virtual que todos nós desejamos desde então. Claro, tudo isso não vem apenas com flores, mas também com cargas pesadas para os jogadores (principalmente brasileiros), que ainda sofrem com as consequências da desorganização política de nosso país. Mas, como temos muitos assuntos pelo qual retratarmos, vamos por partes.



A frustração de ser brasileiro

Já fazem bons anos que nós brasileiros temos que sofrer com a incompetência do governo e pagarmos o preço pelo seu desleixo com a indústria de ciência e tecnologia. Sendo assim, os impostos chegam e chegam cada vez mais absurdos ano a ano que se passa. Quem aqui não se lembra do assustador valor de R$4,000 do Playstation 4 em seus primeiros meses de lançamento? Claro, as lojas perceberam que não iriam vender praticamente nada e logo reduziram esse valor pela metade, ainda que muto longe da realidade dos 400 dólares iniciais vistos em países como o EUA ou Canadá. 

Porém, a triste realidade das famílias brasileiras é que muitas ainda não possuem nem perto da quantia econômica sustentável necessária para darem de presente um console ou computador novo para seus filhos, que desde pequenos se apaixonam pela tecnologia estrangeira que lhes é apresentada em canais de comunicação, como o Youtube (porque convenhamos que o conservadorismo da televisão aberta não passa nem perto da maioria dos jovens hoje em dia). É triste termos essa reflexão, mas não paramos para pensar que tal realidade é muito mais comum do que gostaríamos de admitir. A felicidade de jogar um vídeo game de última geração deveria ser direito de todos.

Mas chegamos nesse tópico justamente para refletirmos sobre algumas novidades que estão para embarcar na indústria dos vídeos games nos próximos meses. Quem acompanha conferências anuais como a E3 ou Playstation Experience sabe que os holofotes DAS EMPRESAS DESENVOLVEDORAS estão praticamente todos virados para a nova implementação dos consoles da oitava geração: Playstation Pro e Xbox Scorpio. Mas espera, não tivemos em meados de 2014 (3 anos atrás) o lançamento dos consoles da atual geração? Por que estamos falando sobre tecnologias que serão novamente vendidas a preços absurdos, sendo que acabamos de agarrar nossas mãos na qual pensávamos ser o material do mais recente desenvolvimento? Essas são algumas das questões que acabam vindo à tona na confusa realidade em que nos encontramos. 


E mais uma vez, viramos a atenção a nós, brasileiros. Em meio a essa realidade que está por vir, não resta sensação alguma - a não ser preocupação - que fica em nossa consciência. Se uma parcela consideravelmente pequena teve a oportunidade de adquirir um Playstation 4 ou Xbox One de 2014 para cá, imagina agora que todos novamente se sentirão "atrasados" em quesito tecnológico quando formos lidar com a estréia desses "novos" consoles. O preço será novamente um roubo descarado do sistema, e mais uma vez, o Brasil ficará para trás, mesmo sendo um dos mercados que mais trás lucros anuais para as nossas queridas empresas estrangeiras...

A nova forma de jogar: ver os outros jogarem!

Mas como estamos fazendo uma reflexão do Mundo Gamer em si, obviamente teremos que falar sobre nós, os gamers. Não é novidade para ninguém que uma das maiores febres atuais dentre os jogadores são as famosas partidas de eSports. Grande parte dos amantes dos vídeo-games costumam curtir acompanhar um campeonato ao vivo ou via streaming, torcer para sua equipe favorita de League of Legends ou Counter Strike, e assim por diante.

Porém, para uma outra parcela de jogadores, essa pode ser uma febre irritante. Irritante no sentido de que as pessoas não conseguem mais se desgrudar de apenas um título e do sucesso exagerado que seus jogadores profissionais fazem na comunidade, isso sem falar em diversas jogadoras femininas que cresceram a popularidade de suas redes sociais ao apresentarem fotos um tanto quanto apelativas, contando com a ingenuidade de seus seguidores masculinos (ou femininos, em muitos casos). E dessa maneira, a sensação de "ver outros jogarem", com a implementação do eSports nos holofotes, é que fazem muitos se questionarem até onde vai a "paixão" dos fãs. 


Adentramos então em um tópico EXTREMAMENTE discutível (e lembrem-se mais uma vez que a reflexão dessa matéria baseia-se totalmente na minha opinião pessoal): as premiações anuais da indústria. Bom, todo mundo sabe que o Video Game Awards está apenas agora recuperando seu status de "organizado", depois de alguns anos mudando de nome e sistemática. Para quem gosta de eventos de premiação da indústria do cinema ou da música, como eu, é sempre um privilégio acompanharmos as transmissões e torcermos para os nossos títulos favoritos que lançaram ao longo do ano. 

Dito isso, eis que chegamos no The Game Awards 2016, no qual o grande vencedor da noite havia sito "Overwatch", um FPS que fez muito sucesso no primeiro semestre do ano, e adivinha só, o mais novo "representante" do eSports... Pois bem, os outros indicados na categoria haviam sido Titanfall 2 (game que infinitamente melhorou os defeitos do seu antecessor, mas passou despercebido no mercado), Doom (uma ótima homenagem/reboot a um dos pioneiros do gênero FPS), Inside (talvez o melhor indie lançado desde Limbo, dos mesmos criadores) e claro, Uncharted 4: A Thief's End (amado por muitos, os idealizadores de The Last of Us, Jax and Dexter e os outros títulos da franquia, que trouxeram a melhor experiência que o Playstation 4 recebeu até então). Eis que eu pergunto para vocês: a febre do eSports é tão forte ao ponto de conseguir descolar o prêmio mais cobiçado da indústria, mesmo que os outros candidatos fossem evidentemente jogos melhores? É mais fácil deixar tal reflexão ao particular de cada um...


É possível debatermos de forma saudável sobre o assunto, visto que MUITOS concordam com a premiação do título da Blizzard. Mas verdade seja dita: dentre tantos jogos que souberam tocar o emocional dos jogadores com seus fantásticos enredos, mecânicas da jogatina que continuam revolucionando diversos conceitos de imersão e ainda que menos importante, gráficos que mostram aonde nossa tecnologia de primeiro mundo deseja chegar, como podemos premiar como "Melhor Game do Ano" uma febre passageira, exclusiva para multijogador, sem traços de história que apenas mesclou dois dos mais famosos gêneros atuais do mercado (FPS e RPG)? Talvez porque os jogos estão mudando, e seus jogadores também. 

Qual caminho será percorrido no futuro?

Uma coisa é certa: a indústria de games estará sempre em mudança constante, e sempre existirão jogadores que não irão se sentir satisfeitos com tais alterações na mentalidade da comunidade. Desde os anos 70 até hoje, os vídeos games foram a indústria que mais evoluiu tecnologicamente falando, e tal fato não irá desacelerar tão cedo.

Restamos torcer para que a experiência de jogar um vídeo-game de última tecnologia ainda seja um direito para todos os brasileiros e não apenas aos mais poderosos financeiramente. Também torcemos para que TODA a comunidade gamer possa chegar a um bom senso das preferências escolhidas para suas novas febres mundiais. Ainda podemos prestigiar os criadores de obras de arte que trazem para nós trabalhos dignos de uma experiência de vida, e não apenas uma febre momentânea de meses. O caminho percorrido no futuro está nas nossas mãos, ao criticarmos e debatermos, apenas assim criaremos uma comunidade mais organizada. 


~DungeonReborn

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